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  • A festa no meu velório, Júnior Rebouças

    A Festa no meu velório

    Nêgo Clóvis, Miaiêro, Manuel Autopeças, Manezin, Fábio Couto e Marco Priquitinha, esses são de torar, são amigos de lascar.

    A eles vou delegar, vou confiar um pedido, vai ser tudo bem planejado e dividido.

    Vão organizar a festa no meu velório, vão fazer o meu desejo.

    Vai ser minha vontade, ninguém depois pode reclamar.

    É pra chamar todo mundo, amigos, parentes, família, o povo comovido, o pessoal da Olho Dágua, meu ouvinte querido, também chame tudo que é religião, espírita, católico, evangélico, budista, umbandista, agnóstico, ateísta…

    Mas só depois que rezar, à igreja adentrar, quando o ato ecumênico acabar, minha mãezinha querida se despedir de mim e se afastar.

    Pode liberar a cachaça, cerveja, churrasco, coloca o trio de Canindé pra tocar e umas dançarinas, já coroas, pra animar, deixa o povo se divertir e dançar, mas lembrem que as beatas ainda estarão por lá.

    Que de todo jeito, as fofoqueiras vão falar.

    Peçam pra colocar a notícia nos Blogs de Karlo Silva e Rudimar.

    É assim que quero ser atendido no dia meu velório.

    E depois, bem além de agora, inevitavelmente, algum dia todos nós iremos nos encontrar.

    Lá no céu, na casa do nosso Senhor.

    Depois que a nossa vida, abandonar.

    Quem sabe não tem um forrozin também por lá?

    Apôs ta certo!

    Mas o que eu quero mermo, desejo, torço, espero, imploro, traquejo, maquino, não permito e até acredito que tal dia demore muito, que venha num lombo dum jumento sibito, ronceiro e fique lá pelos lados do infinito.

    Me deixe quieto aqui em Mipibu, nunca ocorra de me levar, nem venha me propor tirar daqui, pra me botar pro lado de lá, pros cafundó das almas, que quem já foi, nunca notícia voltou pra dar.

    Júnior Rebouças, São José de Mipibu

    por manoelrebjr

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