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  • Bar virtual, Júnior Rebouças. São José de Mipibu

    Bar virtual

    Nestes tempos de distanciamento e de pandemia do Corona vírus, vem surgindo várias alternativas para encontros sociais virtuais, uma delas é o bar virtual.

    Temos uma turma de amigos, imagino há mais de trinta anos, onde periodicamente nos reunimos pra beber e bater papos aleatórios, que vão desde o futebol, trabalho, doenças, aposentadoria e vai passando, claro, pela política, economia em seus meandros finos, que normalmente nem conhecemos. Aliás, somos conhecedores profundos de todos os assuntos. Vai depender da quantidade de cerveja consumida.

    Mas não se fala na vida de ninguém!

    Falando nisso, na vida dos outros. Sábado passado foi aberta uma sala virtual em um desses aplicativos da net e transformada em bar virtual. Cada um na sua casa, com seu petisco predileto, tomando umas gelas e conversando através de aparelhos eletrônicos.

    No início achei um tanto estranho, pois já havia participado de reuniões do trabalho nessa modalidade. Mas essa foi muitíssimo diferente, diria surreal.

    Claro que existem algumas pequenas diferenças de um bar comum, tradicional:

    Não existe a possibilidade de provar a comida do outro. No meu caso, que o tira-gosto estava sofrido, foi deveras complicado;

    Escutar a música que preferir ao mesmo tempo que todos os outros;

    É normal e comum ficar sem camisa e não usar cueca;

    As grandes polêmicas ficam bem menos polêmicas;

    De vez em quando a net, objetivamente, tira você do ar. Corrigindo, “tira você do BAR”, sem dar explicação alguma;

    Quando todos falam ao mesmo tempo, literalmente, ninguém entende nada mesmo;

    Não existem garçons, mas dois dos participantes foram agraciados com garçonetes;

    O bom atendimento, a presteza, qualidade e o sabor dos produtos dependem única e exclusivamente de cada um;

    A observação das conversas é bem mais eficaz por parte das mulheres;

    Quando acaba a cerveja, acaba de vez, a saideira é a última mesmo;

    Não existem mesas ao lado para se dar uma olhada;

    Sua companheira não será necessariamente a motorista no retorno pra casa;

    Nem pensar em dividir a conta;

    Não tem argumentação plausível, da esposa, aquela que você saiu pra beber na rua. Ela reclama um pouco menos, mas ainda assim reclama;

    E o pior, no outro dia, quem faz a limpeza do bar é você.

    Em resumo, mesmo no estágio pandêmico em que o país se encontra, os cachaceiros inventaram uma maneira, protocolar e sanitariamente correta de não perderem o vínculo social etílico, continuarem bebendo e fazendo resenhas com a turma.

    As companheiras, mais que rapidamente, se adaptaram e gostaram muito…

    Eu me adaptei e gostei!

    Júnior Rebouças, 01/06/2020, São José de Mipibu

    por manoelrebjr

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