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  • Mayne Rebouças, Psicopedagoga – Estudar durante a pandemia, pra quê?

    Estudar durante a pandemia, pra quê?

    Vamos falar um pouquinho sobre estudar durante o período de suspensão de aulas. Muitos acham que é perda de tempo, e que em virtude do alongamento dos dias de quarentena, Estados e Municípios deveriam reprogramar o ano letivo de 2020 para o ano seguinte, com o argumento de que o ensino remoto é só “enrolação” e que os alunos não aprendem nada.

    Na verdade, o que de fato o ensino remoto representa é uma possibilidade de vínculo educacional, uma espécie de elo entre a instituição escola e o corpo discente e ao contrário do que muitas pessoas imaginam, que ele é uma ferramenta educacional com recursos exclusivamente virtual, digital e tecnológico, esse tipo de prática educacional nada tem a ver com tecnologia.

    Estudar remotamente significa que ainda e apesar do aluno não estar inserido no contexto escolar, ele ainda estará inserido num contexto educacional, que são coisas distintas. Neste momento, a internet tem apenas auxiliado, de forma importante, as aulas remotas, mas elas podem acontecer sem a ferramenta digital, através de vários outros recursos e artifícios, inclusive os mais tradicionais como atividades impressas e o antigo e sempre atual livro didático.

    Aulas remotas não acontecem somente num estado de exceção como o que estamos vivendo agora, elas já aconteciam antes como em casos em que os alunos precisaram se ausentar da escola para tratamento de saúde, ou precisaram ficar internados num hospital e mesmo assim dão continuidade aos estudos em uma adaptação feita pela equipe pedagógica. Várias outras situações levam os alunos a se enquadrarem em uma excepcionalidade educacional que ultrapassa os muros da escola.

    E por que é tão importante que o aluno mesmo em uma situação muito adversa de aprendizagem continue estudando? Vamos pensar numa máquina que por algum motivo não está sendo utilizada. Recomenda-se que de vez em quando ela seja ligada para que seu funcionamento não seja totalmente comprometido. Com o nosso cérebro é a mesma coisa, se ele não for ativado, ainda que com uma frequência menor, é provável que quando for exigido seu funcionamento total, ele não tenha o mesmo rendimento devido ao tempo que ficou “desligado”.

    Então, o que deve ser considerado nesse período é que os alunos estão estudando em casa, não a todo vapor, mas mantendo ligados alguns comandos específicos da aprendizagem como atenção, memória, e a criação de novas sinapses cognitivas quando se deparam com uma leitura nova, uma aula gravada pelo professor, um filme, uma atividade mais reflexiva como uma redação, resenha ou resumo, e até mesmo uma atividade mais mecânica como lista de exercícios ou questionários.

    Além disso, um estudo feito em casa pelo aluno e de forma remota exige por parte dele uma aprendizagem que vai além do conteúdo curricular, como no caso dele aprender a se disciplinar mais com relação aos horários, a ter controle para inibir estímulos externos, como televisão, celular ou dormir além do horário. Tudo isso, recruta um conteúdo atitudinal que poderá ser imprescindível para esse aluno em um cenário futuro. 

    Por fim, é importante também compreendermos que as aulas remotas exigem um planejamento sério e apurado por parte dos professores, onde leva-se em consideração fatores diversos para que o objeto de estudo possa realmente ser assimilado e alcançar seu objetivo, sem considerar uma competitividade, mas fomentar a superação do aluno dele com ele mesmo.

    Mayne Rebouças

    por manoelrebjr

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