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  • Júnior Rebouças – O desafio do cuscuz. Mipibu

    Esse texto surgiu de um desafio feito pelo meu parceiro e amigo Eugênio Lourenço, em uma participação, em que estava fazendo, no seu programa Espaia Forró, na Olho Dágua FM, ano passado, sobre poesia popular e coincidentemente a data era o dia do cuscuz. Feito o desafio e no outro dia entreguei o texto.

    Espero que gostem!

     

    Cuscuz

     

    O cuscuz nosso de cada dia nos dai hoje para comermos bem.
    Alimento que atende ao pobre e a nobreza, fica bem em qualquer mesa, indispensável ao nosso povo nordestino, onde ao comer se diz amém.
    Consumido em taba comum, por quem vive na labuta e da dureza, é de milho, depois de moído, uns até o chamam de xerém.

    É pra cabra macho do mato, em sua lida na natureza.

    Bem cedinho, ainda o galo cantando e o cachorro a latir, antes de sair pra plantação, no café da manhã, desce com qualquer acompanhamento, no leite de gado ou de cabra, feito um gosmento, com ovo, queijo, picado, chambaril, costela, charque, carne de porco, mocotó, fussura de bode, tilápia, carne seca, corvina, até avoador e muito mais.

    No almoço vai com feijão branco, tripa assada, buchada, passarinha, asa ou pé de galinha como mistura, toissin, pra dar sabor, maxixe, quiabo, coentro e o que tiver, quero ver na lavoura o peão ter passamento! Dá força pro homem da roça trabalhar, como só ele pode, pro vaqueiro véi, o gado tratar, dar de comer e beber, tanger os bichos de cercado a dentro, à terra arar, preparar o plantio, plantar, colher e correr atrás de animal arredio nojento.

    A noite repete a bóia da mei dia, é o costume do caburé caipira, a noitinha, comer aquela pratada, enche o bucho como se fosse novamente trabalhar na enxada. De novo, não podendo faltar a iguaria…  também com macaxeira ou batata e pegue mais cuscuz com caça torrada. Aí se deita um tiquin no alpendre da casa, numa rede ele se enfia, acende um brejeiro, escutando a Hora do Brasil, depois é só peidar e roncar o resto da noitada.

    E pra não haver muito mais alongamento e encerrar a homenagem ao cuscuz, esse alimento que é de peão e de patrão, universal pros sertanejos da nação, vivendo nesta terra onde o sol o ano inteiro dá luz.

    Escuta o que eu digo a tu, por comoção e ação popular, há um decreto do executivo municipal e por parlamentar votação, com essa que é história verdadeira contada e declamada, em rima solta, no texto poético o qual compus, afirma que a capital internacional do guisado e do cuscuz é São José de Mipibu, aqui nas terras onde nasceram os Mopebus.

     

    Júnior Rebouças

    por manoelrebjr

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